Ribeirão Preto deu a lição que Brasília esqueceu - Por Paula Sousa

Foto Canva e Rede Social
Juliana Rosa de Freitas, a “Juju dos Teclados”, transformou suas redes sociais em um campo de batalha movido a ódio, provocações e incitação à violência contra quem pensa diferente. Em suas postagens, chegou a sugerir que empresários e políticos conservadores fossem “fuzilados”, em clara alusão ao atentado que tirou a vida do ativista Charlie Kirk. O espetáculo macabro, transmitido a centenas de milhares de seguidores, ultrapassou qualquer limite do debate público e causou perplexidade em todos nós.
Mas a era da impunidade digital mostrou que tem fim. Ao contrário do que acreditam certos “juízes de internet”, o ambiente virtual não é uma terra sem lei. A influenciadora foi formalmente denunciada por uma série de crimes digitais — entre eles, incitação ao homicídio, apologia ao crime, perseguição, injúria e denunciação caluniosa. Em suas próprias palavras, convocava a população a “seguir o exemplo” do atentado ocorrido nos Estados Unidos, direcionando suas ameaças a figuras públicas que simbolizam o setor produtivo e valores conservadores.
Enquanto Brasília segue o caminho da insegurança jurídica e seletividade política, foi em Ribeirão Preto que a resposta veio com rapidez e rigor exemplar. O Ministério Público, as Polícias Civil e Federal e o Juízo de Garantias atuaram com rara eficiência, em sintonia com a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e sua Subsecretaria de Inteligência.
O resultado foi uma operação conduzida com precisão de relógio: da denúncia à execução do mandado de busca e apreensão no apartamento da influenciadora no Estado do Rio de Janeiro, tudo ocorreu com disciplina e profissionalismo. Em poucos dias, o espetáculo da arrogância digital deu lugar à cena que muitos consideravam impossível — a da Justiça em ação.
Entre os principais alvos das declarações criminosas estava o empresário Paulo Junqueira, de Ribeirão Preto — um nome que simboliza não apenas o setor produtivo, mas a resiliência de quem constrói, gera empregos e acredita no país apesar dos que o atacam. Junqueira, ao lado de Luciano Hang (Havan), Afrânio Barreira (Coco Bambu) e Nikolas Ferreira (PL-MG), foi citado nominalmente como alguém que “deveria levar um tiro”. Mesmo diante dessa brutalidade, foi dele e instituições de sua cidade que partiu a reação mais firme, mais técnica e mais civilizada: recorrer à Justiça.
Ribeirão Preto tornou-se o epicentro de uma resposta nacional à cultura do ódio digital. Todos os empresários e vítimas das ameaças devem ingressar com ações na comarca da cidade, ampliando o peso jurídico e simbólico desse processo. É mais do que um caso policial — é um exemplo de maturidade institucional. Enquanto muitos falam em “insegurança jurídica”, Ribeirão Preto demonstrou o contrário: quando há vontade e coragem, a lei funciona.
Ironicamente Juju, que posa de “antissistema”, nunca construiu nada além de discurso. Vive do capitalismo que diz desprezar, hospedada no conforto garantido por ele. Ostenta viagens aos Estados Unidos — o país que demoniza — e se alimenta da hipocrisia digital. Mas bastou a justiça agir para que a militância virtual se desmanchasse em lágrimas reais.
O que se viu, nas imagens de busca e apreensão, foi o fim de uma era de arrogância travestida de ativismo. A mulher que incitava assassinatos agora se apresenta como vítima. A esquerda que ela representa — aquela que pede “regulamentação da internet” para combater o “discurso de ódio” — revela que, na prática, quer apenas o monopólio de odiar.
Enquanto a grande imprensa silencia, Ribeirão Preto mostrou ao Brasil que justiça não se faz com hashtags, mas com instituições sérias e homens de caráter. Paulo Junqueira, as autoridades Policiais, o Ministério Público e o Judiciário de Ribeirão Preto não apenas reagiram a uma ameaça pessoal — defenderam o princípio de que ninguém está acima da lei, por mais “influente” que se ache atrás de um teclado.
O caso Juju dos Teclados ensinou que coragem não é berrar no Twitter, mas enfrentar o ódio com legalidade, com serenidade e com fé na Justiça. No Brasil da covardia disfarçada de virtude, Ribeirão Preto lembrou ao país que ainda há ilhas de lucidez, onde a lei vale, a decência resiste e a verdade ainda tem voz (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 6/10/25)

