Seara, da JBS, compra duas granjas da Céu Azul em SP
A produção das duas granjas já era direcionada à Seara. Foto Waldemar Padovani Estadão
Produção das unidades já era direcionada à Seara, sendo uma transferência de ativos para aumentar a proximidade do negócio, sem ampliação da capacidade produtiva existente
A Seara, unidade de aves e suínos da JBS, concluiu a aquisição de duas granjas da Céu Azul Alimentos localizadas em Ipiguá (SP) e Guapiaçu (SP), reforçando a integração de ativos que já forneciam insumos à companhia. O valor do negócio não foi divulgado e a operação foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Segundo a empresa, a aquisição configura uma operação de compra de ativos rurais vinculados à produção de frangos de corte. A Seara atua no processamento e na distribuição de proteínas de aves e suínos, com presença nos mercados doméstico e internacional, enquanto a Céu Azul é focada na produção e comercialização de frangos de corte.
“A Seara, da JBS, fechou a aquisição de duas unidades produtivas da Céu Azul Alimentos situadas em Ipiguá e Guapiaçu (SP). A operação consolida ativos que já atuavam no fornecimento direto da companhia. A transação foi submetida à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, confirmou a empresa em nota enviada ao Estadão/Broadcast.
As unidades já estavam integradas à cadeia produtiva da Seara e forneciam ovos férteis e aves destinadas ao abate. Trata-se, assim, de uma transferência de ativos para aumentar a proximidade do negócio, sem ampliação da capacidade produtiva existente, já que a produção das granjas já era direcionada à empresa.
A granja de Ipiguá é voltada à produção de ovos férteis para a cadeia de frango de corte, enquanto a unidade de Guapiaçu atua na criação e comercialização de aves para abate. Na prática, a transação consolida sob gestão direta da Seara operações que já eram estratégicas para o fornecimento de insumos e para a etapa final da engorda dos frangos.
De acordo com o formulário submetido ao Cade e obtido pelo Estadão/Broadcast, a aquisição representa para o grupo controlador uma oportunidade de otimizar a atuação na cadeia de frango de corte, ampliando o controle sobre qualidade e custos do ovo fértil e da produção. Para a Céu Azul, a venda dos ativos está alinhada à reorganização estratégica do portfólio e à realocação de capital para áreas prioritárias, além de contribuir para a otimização da estrutura financeira da companhia.
As empresas sustentam que a operação apresenta sobreposição horizontal limitada e integração vertical considerada “ínfima”, sem potencial de fechamento de mercado ou impactos concorrenciais relevantes, motivo pelo qual solicitaram a análise em procedimento sumário e aprovação sem restrições.
A relação entre as empresas é antiga. Há cerca de 12 anos, a JBS desembolsou R$ 246 milhões para adquirir ativos da Céu Azul, incluindo duas unidades de processamento de aves, duas fábricas de ração e três incubatórios, com capacidade conjunta de abate de 330 mil aves por dia, além de três marcas de frango in natura.
A nova transação reforça o movimento da JBS de ampliar sua atuação em diferentes elos da cadeia avícola. Em 2025, a companhia também avançou no segmento de ovos ao adquirir 50% da Mantiqueira Brasil, uma das maiores produtoras da América do Sul (Estadão, 5/2/26)

