14/05/2026

Sem aval da China, Brasil perde 'corrida' por produtividade no milho

Sem aval da China, Brasil perde 'corrida' por produtividade no milho

Carlos Goulart (e), secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, e Zhu Qingqiao (d), embaixador da China, no 4º Congresso Abramilho — Foto Divulgação-Abramilho

Demora na aprovação de novas biotecnologias trava aumento do rendimento das lavouras.

A aprovação de uso de novas biotecnologias para a produção de grãos, especialmente de soja e milho, voltou à discussão durante o 4º Congresso Abramilho, realizado em Brasília nesta quarta-feira (13/05). No ano em que o setor vivencia uma crise econômica provocada por alta de custos, endividamento e redução do uso de fertilizantes, o assunto ganha força, porque na avaliação dos painelistas a produtividade das lavouras poderia crescer se os produtores tivessem acesso a opções modernas e de alto rendimento.

A China, principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, é vista como o cliente estratégico que pode destravar este aumento de produtividade. O país asiático avalia uma série de novas biotecnologias. Enquanto não aprova o consumo dos produtos, agricultores brasileiros se veem impedidos de usar as tecnologias.

“Nosso desafio é sempre diminuir o ‘gap’ entre regulação e comércio. Não conheço nenhum país no mundo em que isso anda junto”, resumiu Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, durante um dos painéis do evento.

O diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, afirmou que o acesso dos produtores a essas tecnologias é crucial para o desenvolvimento da atividade, do aumento do rendimento das lavouras e da segurança alimentar. “O produtor fica na pressão para a China aprovar logo e o tempo deles é diferente. A gente espera que essa relação entre China e Brasil entre em um consenso e protocolo para que não tenhamos cinco anos de espera entre aprovar lá e plantar aqui”, disse.

Participante do painel, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, destacou as diversas cooperações agrícolas existentes entre Brasil e China e reconheceu que impulsionar a inovação científica e tecnológica é fundamental para aumentar a resiliência da agricultura. “O futuro está na ciência e tecnologia. A China está disposta a trabalhar em conjunto com todas as partes para promover a cooperação agrícola. Com esforço conjunto poderemos atravessar qualquer tempestade”, disse.

Zhu Qingqiao ainda indicou que o país asiático deve continuar ampliando o comércio com o Brasil, devido ao aumento de renda da população chinesa. “Com base no respeito mútuo, vamos aprofundar nossa cooperação agrícola e ter mais produtos brasileiros no mercado chinês, incluindo produtos de alta qualidade”, disse.

O presidente da CTNBio, Mauro Mirakami, disse que, em viagem à China recentemente, identificou interesse de existir uma aproximação e cooperação técnico-científica ente a comissão chinesa e a brasileira. “São pequenos passos que vão encurtando o tempo de aprovação. Isso aumenta a competitividade da nossa agricultura e a segurança alimentar. Há convergências entre os dois países”, enfatizou (Globo Rural, 13/5/26)