Setor privado dos EUA esfria expectativa do Brasil por alívio tarifário
Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Foto Kevin Mohatt-File Photo-Reuters
Por Isadora Camargo
Fontes veem chance de USTR antecipar decisão sobre tarifa de 25% e observam movimentos de Jamieson Greer.
Após três dias de audiência pública no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), humores entre participantes americanos e brasileiros ficam opostos. De um lado, a ala brasileira aposta, ao menos, no aumento da lista de exceção sem tarifas adicionais, enquanto os americanos se mostraram mais céticos, mesmo após debate de elevado tom técnico.
A avaliação é de uma fonte que acompanhou a audiência. Apesar das expectativas divergentes, entre os pares americanos a percepção é de que o USTR vai antecipar a decisão oficial sobre as tarifas para antes de 15 de julho, prazo legal determinado pelo governo dos EUA.
Mais cedo, nesta quinta-feira (7), o representante do USTR, Jamieson Greer, afirmou que a decisão será anunciada "muito em breve", mas acrescentou que os dois países estão muito distantes de um acordo. A afirmação aconteceu em entrevista à Fox Business Network.
Dois indícios pautam a hipótese de antecipação. De acordo com essa fonte, a percepção em Washington é de que a definição pode sair antes mesmo do prazo inicialmente indicado, já que em 24 de julho expira a tarifa adicional de 10% aplicada no contexto do chamado reequilíbrio comercial.
A leitura é de prazo apertado no calendário comercial dos EUA e da ausência de tempo adicional para complementação de documentos, o que encurta ainda mais a janela de articulação dos setores afetados.
Outro sinal de que o cronograma será mais rápido do que o usual foi a decisão das autoridades americanas de não abrir o período adicional de cinco dias normalmente concedido para suplementação de documentos e envio de novas informações ao processo.
Isso reduz o espaço para novos movimentos de convencimento e reforça a leitura de que o desfecho está próximo, disse fontes ao blog.
Corredores do USTR
Nos bastidores, a mesma fonte relata que, apesar da avaliação positiva sobre o nível técnico das discussões mantidas até agora — com reuniões paralelas, apresentações e interlocução com diferentes áreas do governo americano —, a visão predominante entre interlocutores do setor privado nos EUA é de cautela em relação à possibilidade de ampliação das exceções tarifárias já conquistadas pelo Brasil.
A leitura é de que o Brasil fez “tudo o que podia” ao longo das tratativas, mas enfrenta um ambiente político menos favorável em Washington.
Na avaliação repassada ao CNN Agro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem elevado a pressão sobre parceiros comerciais em diferentes frentes, o que reduz a margem para concessões adicionais neste momento, especialmente no caso brasileiro.
O blog apurou que o conjunto de exceções já sinalizadas — que inclui, por exemplo, a preservação de parte relevante das exportações de café verde — tende a ser mantido, mas que novos avanços são vistos como difíceis no atual contexto geopolítico e diplomático.
A avaliação não é de impossibilidade, mas de redução das chances de o pleito brasileiro prosperar além do que já foi assegurado até aqui.
A decisão da USTR é acompanhada de perto por exportadores brasileiros, sobretudo do agronegócio, que vêm tentando demonstrar aos americanos os impactos da medida sobre cadeias produtivas dos dois países, inflação e custo ao consumidor nos EUA.
A expectativa, agora, é de que a definição saia em curto prazo e consolide o alcance das exceções já negociadas — ou imponha novas barreiras ao comércio bilateral (CNN, 9/7/26)

