10/07/2026

Setor privado dos EUA esfria expectativa do Brasil por alívio tarifário

Setor privado dos EUA esfria expectativa do Brasil por alívio tarifário

Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Foto Kevin Mohatt-File Photo-Reuters

 

Por Isadora Camargo

 

Fontes veem chance de USTR antecipar decisão sobre tarifa de 25% e observam movimentos de Jamieson Greer.

 

Após três dias de audiência pública no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), humores entre participantes americanos e brasileiros ficam opostos. De um lado, a ala brasileira aposta, ao menos, no aumento da lista de exceção sem tarifas adicionais, enquanto os americanos se mostraram mais céticos, mesmo após debate de elevado tom técnico.

 

A avaliação é de uma fonte que acompanhou a audiência. Apesar das expectativas divergentes, entre os pares americanos a percepção é de que o USTR vai antecipar a decisão oficial sobre as tarifas para antes de 15 de julho, prazo legal determinado pelo governo dos EUA.

 

Mais cedo, nesta quinta-feira (7), o representante do USTR, Jamieson Greer, afirmou que a decisão será anunciada "muito em breve", mas acrescentou que os dois países estão muito distantes de um acordo. A afirmação aconteceu em entrevista à Fox Business Network.

 

Dois indícios pautam a hipótese de antecipação. De acordo com essa fonte, a percepção em Washington é de que a definição pode sair antes mesmo do prazo inicialmente indicado, já que em 24 de julho expira a tarifa adicional de 10% aplicada no contexto do chamado reequilíbrio comercial.

 

A leitura é de prazo apertado no calendário comercial dos EUA e da ausência de tempo adicional para complementação de documentos, o que encurta ainda mais a janela de articulação dos setores afetados.

 

Outro sinal de que o cronograma será mais rápido do que o usual foi a decisão das autoridades americanas de não abrir o período adicional de cinco dias normalmente concedido para suplementação de documentos e envio de novas informações ao processo.

 

Isso reduz o espaço para novos movimentos de convencimento e reforça a leitura de que o desfecho está próximo, disse fontes ao blog.

 

Corredores do USTR

 

Nos bastidores, a mesma fonte relata que, apesar da avaliação positiva sobre o nível técnico das discussões mantidas até agora — com reuniões paralelas, apresentações e interlocução com diferentes áreas do governo americano —, a visão predominante entre interlocutores do setor privado nos EUA é de cautela em relação à possibilidade de ampliação das exceções tarifárias já conquistadas pelo Brasil.

 

A leitura é de que o Brasil fez “tudo o que podia” ao longo das tratativas, mas enfrenta um ambiente político menos favorável em Washington.

Na avaliação repassada ao CNN Agro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem elevado a pressão sobre parceiros comerciais em diferentes frentes, o que reduz a margem para concessões adicionais neste momento, especialmente no caso brasileiro.

 

O blog apurou que o conjunto de exceções já sinalizadas — que inclui, por exemplo, a preservação de parte relevante das exportações de café verde — tende a ser mantido, mas que novos avanços são vistos como difíceis no atual contexto geopolítico e diplomático.

 

A avaliação não é de impossibilidade, mas de redução das chances de o pleito brasileiro prosperar além do que já foi assegurado até aqui.

A decisão da USTR é acompanhada de perto por exportadores brasileiros, sobretudo do agronegócio, que vêm tentando demonstrar aos americanos os impactos da medida sobre cadeias produtivas dos dois países, inflação e custo ao consumidor nos EUA.

 

A expectativa, agora, é de que a definição saia em curto prazo e consolide o alcance das exceções já negociadas — ou imponha novas barreiras ao comércio bilateral (CNN, 9/7/26)