13/05/2026

Tchau querido dois...- Por Lucia Festuccia

Tchau querido dois...- Por Lucia Festuccia

 Foto Adriano Machado Reuters

 

O ciclo interrompido: Por que a "colheita" de Lula pode nunca chegar

 

O manual político do Governo Lula para este mandato era claro: 2023 seria o ano de preparar o terreno, 2024 o de semear, 2025 o de cultivar para, finalmente, em 2026, colher os frutos da popularidade e da estabilidade econômica. Contudo, o calendário avançou, mas a terra continua seca. O que se vê hoje não é o crescimento de um novo Brasil, mas a repetição de um discurso que soa como um "disco riscado". Entre promessas requentadas e uma realidade que castiga o bolso do brasileiro, o governo parece ter perdido o tempo da plantação.

 

O abismo entre o discurso e a realidade

 

A eficiência social, que sempre foi a principal bandeira do PT, enfrenta números alarmantes. O Bolsa Família, pilar de sustentação eleitoral, atende hoje cerca de 2,7 milhões de lares a menos do que no início da gestão atual. Na previdência, o cenário é de caos: a fila do INSS, que o governo prometeu zerar, triplicou, ultrapassando a marca de 3 milhões de pessoas à espera de um direito básico.

 

Na economia real, o custo de vida corrói o otimismo. Com a gasolina batendo na casa dos R$ 6,65 — enquanto americanos pagam o equivalente a R$ 5,22 — a narrativa de que a culpa é exclusivamente do dólar perde força diante dos fatos. A mesa do brasileiro também sofre: dados da Esalq indicam que o preço da carne subiu 45% nos últimos dois anos. O resultado é uma nação sufocada: hoje, metade da população adulta está endividada. Falamos de 82 milhões de brasileiros que, juntos, devem mais de R$ 550 bilhões, um buraco financeiro que isenções pontuais de Imposto de Renda dificilmente conseguirão tapar.

 

Insegurança e o jogo de cena internacional

A crise não se limita à economia; ela transborda para as ruas.

Enquanto o Datafolha aponta que o crime organizado cresceu 20%, a resposta governamental parece ser meramente coreográfica. A recente declaração de Lula na embaixada americana, prometendo lançar "na semana que vem" um plano contra o crime organizado, soa como um jogo de cena para tentar impressionar a nova administração de Donald Trump. Na prática, a percepção é de que facções como o PCC e o Comando Vermelho avançaram sem resistência real nos últimos dois anos, deixando a segurança pública à deriva.

 

Conclusão: O tarde demais

A queda acentuada na popularidade do presidente é o reflexo de um governo que tentou viver de retórica em um país que exige resultados práticos. Soluções de última hora, como pacotes econômicos desesperados ou discursos de improviso, não têm o poder de reverter o hiperendividamento da sociedade ou o medo da criminalidade.

 

A metáfora agrícola usada pelo governo se volta agora contra ele: na política, como na natureza, não se colhe o que não foi plantado. Com o terreno mal preparado e sementes de promessas vazias, o governo Lula parece ter deixado o tempo passar. Para 2026, a colheita esperada pelo Planalto corre o risco de ser apenas o fruto amargo da desilusão popular. É tarde demais para quem esqueceu que governar exige mais do que palavras; exige execução

 

Sobre a autora:

 

Lúcia Festuccia - Advogada com sólida atuação jurídica em Ribeirão Preto, Lucia Festuccia construiu uma trajetória marcada pela defesa de princípios, pela experiência prática no Direito e pelo engajamento nas discussões políticas contemporâneas. Ativista e voz ativa no cenário público, passa a integrar o time de articulistas do portal BrasilAgro, contribuindo com análises jurídicas, institucionais e sociais. Também atua como membro da equipe pedagógica e consultora jurídica do Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil, onde desenvolve ações voltadas à formação cidadã, à valorização da cultura e ao fortalecimento das instituições; 13/5/26.