28/05/2025

Tirso Meirelles confirma estar desqualificado para liderar o agro paulista

Tirso Meirelles confirma estar desqualificado para liderar o agro paulista

 

Imagem Reprodução iStock e redes sociais

 

A Assembleia Geral Extraordinária convocada para a próxima 2ª feira por Tirso Meirelles, presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar, com o objetivo de votar a exclusão de Paulo Junqueira - advogado e produtor rural, presidente do Sindicato e da Associação Rural de Ribeirão Preto e da Assovale – Associação Rural Vale do Rio Pardo - do Conselho de Representantes da entidade, é vista como importante evento para encerrar o ciclo da “Dinastia Meirelles” no comando da entidade, segundo tradicionais produtores rurais paulistas alinhados à chapa de oposição “Nova Faesp”.

 

Estes produtores, muitos até pouco tempo atrás próximos de Fábio de Salles Meirelles, que através de 12 reeleições e 48 anos na presidência da entidade tenta impor como seu sucessor o filho Tirso, já vinham reclamando desde que ele assumiu a vice-presidência desta que é a maior federação de sindicatos rurais do País.

Outras informações sobre a palavra

  

Como vice, Tirso Meirelles já emitia sinais de que lhe faltavam características, competência e valores considerados essenciais para quem ocupa o cargo de líder do agro de São Paulo, Estado líder na produção agrícola do Brasil. Antes de assumir a vice-presidência da Faesp/Senar,Tirso Meirelles ocupou o cargo de secretário de Governo da prefeita de Sertãozinho, Neli Tonielo, sua sogra, no período de 1997 a 2000.

 

Em 1999, no auge da pior crise vivida na história da cadeia produtiva sucroenergética, lideranças de Sertãozinho articularam o movimento “Grito pelo Emprego e pela Produção”, com o objetivo de sensibilizar o governo do Estado de São Paulo (Mário Covas) e o governo federal (Fernando Henrique Cardoso) a implementarem políticas públicas a favor do setor canavieiro. À época, Tirso trabalhou contra o movimento que uniu trabalhadores, fornecedores de cana, industriais de bens de produção e usineiros.

 

Num dos atos de protesto com o objetivo de usar a mídia para mostrar a grave crise em que encontrava-se a cadeia produtiva sucroenergética, promovido no centro da cidade de Sertãozinho, Tirso Meirelles pediu que a Polícia Militar prendesse os líderes do movimento. As prisões só não ocorreram graças a intervenção do então presidente do Legislativo Municipal, vereador João Marcos Pignata que refugiou os líderes do movimento no prédio da Câmara Municipal de Sertãozinho.

 

O movimento que nasceu em Sertãozinho e se espalhou a todas as regiões canavieiras alavancou o setor passou e produzir de 300 milhões de toneladas de cana por safra para 600 milhões. Também impulsionou a construção de 100 novas usinas e a modernização de todas as outras instaladas no País. Com o fim do mandato da prefeita Neli Tonielo, Tirso Meirelles tentou atuar como profissional na iniciativa privada e logo depois se transferiu para São Paulo onde foi acolhido pelo pai na Faesp.

 

Presidente eleito e eleições anuladas

 

Em dezembro de 2023, quando tinha a oportunidade de usar o legado do seu pai para sucedê-lo na presidência da Faesp, Tirso Meirelles deixou claro suas intenções de tomar, a qualquer preço, o comando da entidade. Ao mesmo tempo em que um grupo de legítimos e tradicionais produtores rurais paulistas se articulava para criar uma chapa de oposição, Tirso passou a adotar uma estratégia autofágica para alijar seus adversários.

 

Primeiro, impediu o registro da chapa de oposição “Nova Faesp”. Depois, impediu o acesso aos documentos dos membros da chapa da situação sobre os quais pesavam denúncias sobre a autenticidade de suas condições de produtores rurais. Com a eleição anulada por fraude e irregularidades e já na condição de presidente sub judice, determinou a abertura do “Processo Administrativo Disciplinar nº 01/25” formando “Comissão Processante” formada por Armando Sérgio Prado de Toledo, Arthur Migliari Júnior e Feres Sabino.

 

Ao mesmo tempo, mandou criar uma “Comissão de Sindicância Interna”, formada pela advogada do Senar/SP Juliana Canaan, Saimon Rosa (seu assessor especial) e Thiago Soares, advogado da Faesp. Pessoas ligadas a Tirso Meirelles relatam que ele não contava que o TRT-2 mantivesse por unanimidade a decisão da 1ª instância e nem que o mesmo TRT-2 suspendesse a cerimônia de auto posse marcada para o dia 14 de abril de 2024 no Theatro Municipal de São Paulo.

 

Para se vingar dos dirigentes de sindicatos rurais apoiadores do grupo de oposição, determinou o corte da transferência dos recursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar em percentuais que variavam de 60% a 80% para o exercício de 2024. Para 2025, radicalizando, determinou o corte total destes recursos que atingem, dentre outras áreas, o cinturão de produção da cana-de-açúcar e da laranja, duas das mais importantes commodities do Estado e do País.

 

Produtores rurais questionam o montante de recursos que o sistema Faesp/Senar transfere aos advogados que tentam, através de ações de efeitos suspensivos, manterem Tirso Meirelles na presidência da entidade. “As cifras são milionárias, coisa de alguns milhões de reais que saem dos cofres do sistema não para investimentos a favor dos produtores e sim para atender ao capricho dele de tentar se manter no poder. Até quando, ninguém sabe. Como também ninguém duvida que a cada dia que passa encurta o período do seu malfadado mandato presidencial que envergonha o agro paulista e brasileiro”, afirmam lideranças do movimento de oposição.

 

Governo do Estado e Agrishow

O governador Tarcísio de Freitas se esquiva de tentativa de abraço do presidente sub-judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar, em evento no Palácio dos Bandeirantes. Foto Divulgação Faesp/Senar

 

Não há boa e saudável interlocução entre o Governo do Estado de São Paulo e a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo. Prova disto foi o recente embate entre o secretário da Agricultura Guilherme Piai e Tirso Meirelles através da imprensa. Isto porque, logo após o surgimento do foco de gripe aviária em Montenegro (RS), Tirso num gesto considerado “oportunista”, cobrou do governo Tarcísio de Freitas a regulamentação do Fundesa/PEC – Fundo de Defesa Estadual da Sanidade Animal.

 

O secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, através da imprensa, confirmou que a regulamentação do Fundesa está em fase final e programada para apresentação ao setor na Feicorte, que acontece de 17 a 20 de junho. Afirmou estar surpreso com a cobrança pública do presidente da Faesp, Tirso Meirelles, “porque o mesmo está sendo consultado sobre o assunto e foi avisado do lançamento”, segundo matéria publicada no O Estado de S.Paulo, no último dia 12/5/25.

 

Ao final do ano passado, Tirso Meirelles convocou reunião na sede da Faesp com algumas instituições do agro para a discussão da iminente retirada de benefícios tributários concedidos aos setores de carnes, laranja, amendoim e gado Puro de Origem.  Foi enviado documento ao governador Tarcísio de Freitas que não se pronunciou. Lideranças destes setores procuraram Paulo Junqueira que acabou intermediando contatos com o governo paulista e viabilizando a manutenção dos benefícios tributários.

 

Desde que assumiu o governo paulista, Tarcísio de Freitas não compareceu aos eventos de abertura da Agrishow. No ano passado, mesmo estando em Ribeirão Preto, preferiu participar de megaevento organizado por Paulo Junqueira e do qual também participaram o ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador do Estado de Goiás Ronaldo Caiado, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e produtores rurais.

Nesta última 2ª feira (26) produtores de café paulistas, se reuniram com o ministro da Agricultura Carlos Fávaro em São Paulo, sem a presença do presidente sub judice Tirso Meirelles. Foto Divulgação Faesp Senar

Neste ano, Tarcísio de Freitas não participou da abertura da Agrishow visitando a feira dias depois. O ministro Carlos Fávaro, da Agricultura, não participou da feira neste ano e, segundo fonte de Brasília, deixou de se encontrar com produtores rurais que questionam a alta taxa de juros e com Tirso Meirelles. Vale ressaltar que a Faesp/Senar detém importante percentual do capital da feira.

 

Investimento nos setores de construção e mineração

Há constantes críticas sobre a gestão de Tirso Meirelles como presidente sub judice da Faesp. O último exemplo pode ser comprovado através de nota publicada no site da entidade e que traz a seguinte informação:

“A Brazil Equipo Show (BES) chega à sua 2ª edição consolidada como um dos principais eventos dos setores de construção e mineração no Brasil. De 3 a 6 de junho de 2025, das 10h às 20h, a cidade de Jaguariúna (SP) receberá uma programação voltada à inovação e à sustentabilidade, com exposição de máquinas, equipamentos e serviços, além de oportunidades para networking e geração de negócios. O Sistema FAESP/SENAR-SP, em parceria com o Sindicato Rural de Mogi Mirim, terá participação ativa no evento, com um estande institucional onde divulgará sua missão, ações e os diversos serviços voltados ao desenvolvimento do setor agropecuário e da sociedade rural paulista”.

Não há, em nenhum dos artigos e alíneas do estatuto da Faesp/Senar, uma palavra sequer que autorize a transferência de recursos da entidade para eventos que não tenham vínculo com o setor rural. Ao suspender totalmente os recursos para a formação e requalificação profissional do Senar aos sindicatos da oposição, o estranho “investimento” em evento dos setores de construção e mineração denota plena e total evidência de gestão perdulária.

O mesmo ocorre com as caravanas das “Semeadoras do Agro”, comandadas por Juliana Farah, companheira de Tirso Meirelles e que promovem encontros sociais em cidades do interior. Produtores rurais vêem estas caravanas como “capricho da 1ª dama @jujufarah”, cobram o montante dos valores gastos (e não investidos!) nesta festança e a origem dos recursos usados.

 

“É um acinte para quem transfere parte dos recursos da nossa produção para uma entidade que nos priva de ter os recursos que legalmente e moralmente deveriam nos pertencer. Tirso Meirelles não tem raízes na produção agrícola, não nos representa, não é um líder nem de fato e nem de direito, é um impostor”, garante um dos líderes do movimento de oposição “Nova Faesp”.

 

Ele acrescenta à sua crítica o fato de que “Paulo Junqueira é legítimo produtor rural. Ele e a família são produtores não apenas no Estado de São Paulo mas também no Paraná e no Piauí, na região do Matopiba. Tirso propõe a sua exclusão do Conselho de Representantes por suas virtudes e méritos e não por qualquer irregularidade artificialmente arquitetada. Nenhum produtor paulista consciente e responsável deve votar a favor de Tirso Meirelles e contra Paulo Junqueira. Os que o fizerem, prestarão contas à suas famílias, aos filhos, netos e bisnetos”, conclui (Da Redação, 27/5/25)



Secretaria da Agricultura reconhece apoio do Sindicato Rural de Ribeirão Preto durante a Agrishow/2025

Os documentos abaixo confirmam a excelente interlocução entre o Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e Paulo Junqueira, presidente do Sindicato e Associação Rural de Ribeirão Preto e da Assovale – Associação Rural Vale do Rio Pardo diferentemente do que ocorre com o presidente sub judice Tirso Meirelles considerado como “oportunista” e “desagregador”