Toffoli e Banco Master: O "Amigo do Amigo" em Xeque – Por Paula Sousa

Foto Reprodução Facebook
As manchetes que estampam o nome do ministro Dias Toffoli envolvido em investigações da PF, com conversas íntimas brotando do celular de Daniel Vorcaro, chocaram um total de zero pessoas. Para quem acompanha o cenário de Brasília, a surpresa é equivalente a descobrir que a água é molhada. O que realmente levanta a sobrancelha — e faz o café amargo do STF descer quadrado — é o modo como a bomba foi desarmada no colo do ministro Edson Fachin.
O "furo" que não deixou pedra sobre pedra
A temperatura subiu quando a dupla Daniela Lima e Fábio Serapião, no UOL, revelou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, não foi bater na porta do relator do caso (o próprio Toffoli, veja que conveniência!). Em vez disso, a PF deu um "balão" e entregou o material diretamente ao presidente do Supremo, Edson Fachin.
Imagine a cena: a PF encontra conversas comprometedoras de um ministro no celular de um investigado e, em vez de avisar o colega, leva o dossiê para o "chefe" da corte. No mundo jurídico, isso é um "protocolo técnico". No mundo real, é o equivalente a descobrir uma traição e levar as fotos direto para o jantar de família.
Amizade ou coautoria? O "ZAP" da discórdia
O conteúdo, segundo o UOL e o Diário do Poder, não é apenas uma troca de figurinhas de "bom dia". São diálogos que mostram uma proximidade, digamos, calorosa demais entre Toffoli e Vorcaro, o dono do Banco Master.
A Folha de S.Paulo destacou que a PF fala apenas em "suspeição".
Ou seria coautoria?
Para quem não fala "juridiquês", suspeição é quando você é amigo do réu e não deveria julgar. Coautoria é quando parece que vocês estão jogando no mesmo time, dividindo o tático e, quem sabe, o placar.
Toffoli já vinha sendo questionado por viagens em jatinhos e transações milionárias envolvendo um resort da sua família com fundos ligados ao Banco Master. Ele, claro, dizia que estava tudo certo, que não havia motivo para se declarar impedido. Mas agora, com a PF entregando o "zap" da amizade para o Fachin, a desculpa de "mera coincidência" ficou esfarrapada demais.
O xadrez do Planalto: Lula vs. STF?
Aqui é onde a trama fica realmente suculenta. Tem gente achando que a PF agiu por "puro profissionalismo". Inocentes... A análise de bastidor sugere que o governo Lula pode estar usando Toffoli como boi de piranha.
Por que queimar o Toffoli agora?
- Cortina de fumaça: Nada como um escândalo no STF para tirar as lupas de cima do caso do INSS e de outras histórias que envolvem o sobrenome do presidente.
- Vaga no Olimpo: Se Toffoli cair (ou for "convidado" a se aposentar precocemente), abre-se uma vaga maravilhosa para o Planalto indicar mais um fiel escudeiro.
- Vingança tardia: Lula não esquece que Toffoli o impediu de ir ao velório do irmão quando estava preso em Curitiba. O rancor na política brasileira tem vida longa e memória de elefante.
Os mesmos jornalistas que antes tratavam o STF como o último baluarte da civilização, agora, convenientemente abastecidos por vazamentos da PF "do Lula", começam a fritar o ministro em praça pública. O "amor" acabou ou apenas mudou de estratégia?
O fim da aura de invencibilidade
O impacto disso dentro do STF é sísmico. O tal "espírito de corpo" — aquela regra não escrita de que um ministro não morde o outro — está trincando. Se Fachin levar adiante os pedidos da PF, a aura de deuses intocáveis do Olimpo jurídico pode finalmente começar a desmoronar.
A oposição, claro, assiste a tudo com um sorriso de orelha a orelha. A estratégia é clara: se o primeiro dominó (Toffoli) cair, o caminho para questionar figuras como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes fica muito mais curto. Em 2027, com um Senado potencialmente renovado e menos "domesticado", o que hoje é um pedido de investigação pode virar um processo de impeachment real.
O que esperar de Fachin?
Agora a bola está com Edson Fachin. Ele tem na mão material que, segundo fontes da PF, é "grave e comprometedor". Se ele engavetar, o cheiro de queimado vai ficar insuportável. Se ele der prosseguimento, ele autoriza a PF a investigar um colega de toga, algo que mudaria o jogo para sempre.
Resumo da ópera:
- Toffoli: Está numa posição mais desconfortável que passageiro de classe econômica em voo de 12 horas.
- Vorcaro: O celular dele virou a "caixa-preta" que ninguém queria abrir.
- Lula: Observa de longe, soprando a brasa para ver quem se queima primeiro.
A verdade é que a blindagem do STF nunca pareceu tão frágil. E para quem achava que os ministros eram imunes a tudo, as notificações do celular de Daniel Vorcaro provaram que, no final das contas, ninguém está a salvo de um print bem dado.
Fique ligado, porque se as conversas de Toffoli já causaram esse estrago, imagine o que ainda pode sair dos outros aparelhos apreendidos. A faxina no Banco Master está apenas começando, e o lixo pode ser muito maior do que cabe debaixo do tapete do Supremo. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 12/2/2026)

