Toffoli sai da relatoria do caso Master, mas crise do STF continua
Ministro do STF Dias Toffoli. Foto Brenno Carvalho - Agência O Globo
Por William Waack
A crise não está superada, pois tem outro integrante da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, com nome ligado ao caso Master.
É possível afirmar, sem exagero, que o STF (Supremo Tribunal Federal) passa pelo seu pior momento desde a promulgação da Constituição de 1988, da qual deveria ser o guardião, uma função que uma parcela enorme da sociedade brasileira não mais acredita que esteja cumprindo.
O momento é mais crítico do que a ameaça de ruptura institucional pronunciada pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), quando anunciou em discurso que não mais cumpriria ordens de um determinado integrante da Corte.
É mais crítico ainda do que os momentos em que se cogitou na possibilidade de um golpe em instâncias do Executivo.
Essas foram ameaças vindas de um outro Poder, cujo efeito foi unir, solidificar e dar ainda mais poder às já extensas prerrogativas do Supremo.
O momento crítico pelo qual passa agora foi criado pela própria Corte, uma instituição transformada em alguns momentos em instância para defesa dos interesses pessoais de dois de seus integrantes
Eles ajudaram a carregar o STF para o foco central de um escândalo de fraude bancária que é, na verdade, um escândalo da compra de acesso político nos Três Poderes da República.
Ao pedir afastamento do caso, no qual a PF (Polícia Federal) disse que ele está envolvido, o ministro Dias Toffoli apenas reconheceu aquilo que já se dizia aos berros... que era inaceitável que prosseguisse como relator dado o volume de evidências dando conta de conflito de interesses como magistrado.
A crise não está superada, pois tem outro integrante da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, com nome ligado ao mesmo caso Master.
O problema para o Supremo é que, desta vez, não é alvo de campanha de golpistas ou de gente descontente com suas decisões. Sua perda de credibilidade deu-se pela maneira como a instituição se conduziu.
O caminho para sair disso é longo e terá muita repercussão nas próximas eleições (CNN Brasil, 12/2/26)

