Vendas de etanol hidratado caíram em maio, apesar da vantagem nas bombas
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Apesar do preço do biocombustível estar a 63% da gasolina, vendas caíram 2,8% na comparação anual.
Etanol hidratado está mais vantajoso do que a gasolina na maioria dos municípios pesquisados pela ANP — Foto: Divulgação
O volume de vendas de etanol hidratado — que compete com a gasolina nas bombas — ainda ficou abaixo do registrado um ano atrás durante o mês de maio, embora o produto já esteja registrando ampla vantagem econômica em relação ao combustível fóssil nos principais centros de consumo de combustíveis do país.
De acordo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-Sul venderam 1,772 bilhão de litros de etanol hidratado no mercado interno em maio, um volume 2,8% abaixo do comercializado em maio de 2025. Maio de 2026 teve um dia útil a menos do que em maio de 2026. Na comparação com abril, houve um crescimento de 1,5%.
Os dados de vendas de etanol anidro — misturado à gasolina — mostram que os motoristas ainda deram preferência para o consumo do derivado fóssil. O volume que as usinas venderam de etanol anidro no mercado doméstico em maio cresceu 1,7% na comparação anual. Houve ainda um incremento nas vendas de anidro em relação a abril na ordem de 11,7%.
Ao mesmo tempo, o etanol hidratado está oferecendo vantagem econômica, com folga, para os motoristas. Na última semana de maio, os preços do biocombustível nos postos ficou em 63,7% em relação a gasolina na média do Brasil e em 60,7% no Estado de São Paulo, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pela Unica.
Para boa parte da frota flex circulante no país, o etanol hidratado tem um rendimento equivalente a 70% da gasolina, por isso quando seu preço está abaixo deste patamar, é mais vantajoso abastecer com o biocombustível. Para veículos mais recentes, o rendimento do etanol chega a 75% da gasolina.
A vantagem econômica do etanol não está restrita ao mercado paulista. No levantamento da ANP entre 24 e 30 de maio, os preços do etanol ficaram abaixo da paridade técnica em 66% dos municípios. Além disso, em todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o preço do etanol hidratado estava economicamente mais vantajoso.
Exportações
Ainda de acordo com a Unica, as vendas de etanol das usinas do Centro-Sul para o exterior continuaram fracas em maio. O volume comercializado para exportação no mês caiu 80,8%, para 16,9 milhões de litros. No acumulado da safra 2026/27 (abril e maio), as vendas caíram 56%, para 64,67 milhões de litros.
Produção
A produção de etanol, por sua vez, continua em alta, sustentada pelo crescimento tanto da produção a partir do milho como da cana. O volume produzido apenas na segunda quinzena de maio teve aumento de 4,56%, para 2,13 bilhões de litros. O etanol de milho representou 19,41% da quantidade fabricada, com 413,20 milhões de litros, e um crescimento de 12,38% na comparação com a mesma quinzena do ano passado.
No entanto, as usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul processaram na segunda quinzena de maio um volume 13,08% menor na comparação anual, totalizando 41,55 milhões de toneladas.
Esta foi a primeira quinzena desta safra em que a moagem de cana foi menor na comparação anual. Até então, o ritmo vinha bem mais acelerado. No acumulado da safra, iniciada em abril, o volume de cana processada está 15,81% acima do registrado no mesmo período da temporada passada, totalizando 144,71 milhões de toneladas.
Até o fim da segunda quinzena de maio, havia três usinas a menos em operação do que um ano atrás, com 250 unidades ativas.
A menor oferta de cana da quinzena fez com que a quantidade total de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) obtida no período ficasse 12,13% abaixo do obtido na segunda quinzena de maio de 2025. O resultado foi parcialmente compensado pelo aumento da concentração do ATR na cana, que subiu 1,09%, para 125,87 quilos por tonelada de cana processada.
As usinas continuaram aumentando sua aposta na produção de etanol em detrimento do açúcar, o que fez com que a produção do adoçante sofresse uma forte queda. Na quinzena, a produção da commodity recuou 25,62% na comparação anual, para 2,20 milhões de toneladas (Globo Rural, 22/6/26)

