23/06/2026

Vendas de etanol hidratado caíram em maio, apesar da vantagem nas bombas

Vendas de etanol hidratado caíram em maio, apesar da vantagem nas bombas

IA Copilot

Apesar do preço do biocombustível estar a 63% da gasolina, vendas caíram 2,8% na comparação anual.

Etanol hidratado está mais vantajoso do que a gasolina na maioria dos municípios pesquisados pela ANP — Foto: Divulgação

O volume de vendas de etanol hidratado — que compete com a gasolina nas bombas — ainda ficou abaixo do registrado um ano atrás durante o mês de maio, embora o produto já esteja registrando ampla vantagem econômica em relação ao combustível fóssil nos principais centros de consumo de combustíveis do país.

De acordo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-Sul venderam 1,772 bilhão de litros de etanol hidratado no mercado interno em maio, um volume 2,8% abaixo do comercializado em maio de 2025. Maio de 2026 teve um dia útil a menos do que em maio de 2026. Na comparação com abril, houve um crescimento de 1,5%.

Os dados de vendas de etanol anidro — misturado à gasolina — mostram que os motoristas ainda deram preferência para o consumo do derivado fóssil. O volume que as usinas venderam de etanol anidro no mercado doméstico em maio cresceu 1,7% na comparação anual. Houve ainda um incremento nas vendas de anidro em relação a abril na ordem de 11,7%.

Ao mesmo tempo, o etanol hidratado está oferecendo vantagem econômica, com folga, para os motoristas. Na última semana de maio, os preços do biocombustível nos postos ficou em 63,7% em relação a gasolina na média do Brasil e em 60,7% no Estado de São Paulo, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pela Unica.

Para boa parte da frota flex circulante no país, o etanol hidratado tem um rendimento equivalente a 70% da gasolina, por isso quando seu preço está abaixo deste patamar, é mais vantajoso abastecer com o biocombustível. Para veículos mais recentes, o rendimento do etanol chega a 75% da gasolina.

A vantagem econômica do etanol não está restrita ao mercado paulista. No levantamento da ANP entre 24 e 30 de maio, os preços do etanol ficaram abaixo da paridade técnica em 66% dos municípios. Além disso, em todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o preço do etanol hidratado estava economicamente mais vantajoso.

Exportações

Ainda de acordo com a Unica, as vendas de etanol das usinas do Centro-Sul para o exterior continuaram fracas em maio. O volume comercializado para exportação no mês caiu 80,8%, para 16,9 milhões de litros. No acumulado da safra 2026/27 (abril e maio), as vendas caíram 56%, para 64,67 milhões de litros.

Produção

A produção de etanol, por sua vez, continua em alta, sustentada pelo crescimento tanto da produção a partir do milho como da cana. O volume produzido apenas na segunda quinzena de maio teve aumento de 4,56%, para 2,13 bilhões de litros. O etanol de milho representou 19,41% da quantidade fabricada, com 413,20 milhões de litros, e um crescimento de 12,38% na comparação com a mesma quinzena do ano passado.

No entanto, as usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul processaram na segunda quinzena de maio um volume 13,08% menor na comparação anual, totalizando 41,55 milhões de toneladas.

Esta foi a primeira quinzena desta safra em que a moagem de cana foi menor na comparação anual. Até então, o ritmo vinha bem mais acelerado. No acumulado da safra, iniciada em abril, o volume de cana processada está 15,81% acima do registrado no mesmo período da temporada passada, totalizando 144,71 milhões de toneladas.

Até o fim da segunda quinzena de maio, havia três usinas a menos em operação do que um ano atrás, com 250 unidades ativas.

A menor oferta de cana da quinzena fez com que a quantidade total de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) obtida no período ficasse 12,13% abaixo do obtido na segunda quinzena de maio de 2025. O resultado foi parcialmente compensado pelo aumento da concentração do ATR na cana, que subiu 1,09%, para 125,87 quilos por tonelada de cana processada.

As usinas continuaram aumentando sua aposta na produção de etanol em detrimento do açúcar, o que fez com que a produção do adoçante sofresse uma forte queda. Na quinzena, a produção da commodity recuou 25,62% na comparação anual, para 2,20 milhões de toneladas (Globo Rural, 22/6/26)