17/06/2026

Vexame no G7: Lula mendiga atenção de Trump – Por Paula Sousa

Vexame no G7: Lula mendiga atenção de Trump – Por Paula Sousa

A diplomacia da "grife" brasileira acaba de atingir o seu ápice da comédia pastelão internacional. O cenário? A cúpula do G7 na França. O enredo? Um presidente que passa os dias inflamando a militância com discursos antiamericanos, mas que, ao ver o tapete vermelho estendido, correu para tentar arrancar um aperto de mãos e uma foto com o homem que ele tanto adora criticar: Donald Trump. O resultado foi um vexame histórico que nem a assessoria de imprensa mais criativa conseguirá apagar.

 

A foto de família: O cantinho do castigo

 

Para entender o tamanho do fiasco, basta olhar para a famigerada "foto de família" do evento. Ali, onde os líderes mundiais se reúnem para demonstrar força e união, o petista virou um mero detalhe de rodapé. Conforme flagrado pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, os dois mandatários simplesmente não interagiram.

 

Mas a imagem diz muito mais do que a falta de palavras: enquanto todos olhavam para a frente, compenetrados, as lentes capturaram Lula virado de lado, buscando desesperadamente o olhar de Donald Trump. O presidente americano nem piscou em sua direção. O isolamento foi tão nítido que, na imagem oficial compartilhada pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o brasileiro aparece literalmente escanteado, no extremo canto direito da moldura. Faltou pouco para o fotógrafo cortá-lo da imagem por falta de espaço. Se o objetivo era mostrar protagonismo, o que o mundo viu foi um líder mendigando migalhas de atenção na periferia do poder global.

 

A fábula das uvas e o malabarismo da mídia

Imagem Reprodução Revista do Oeste Youtube

Como o fracasso ficou evidente demais para ser escondido embaixo do tapete, a máquina de passar pano entrou em ação imediatamente. Entra em cena a clássica fábula da raposa e das uvas: como não conseguiu o que queria, o governo passou a dizer que as uvas estavam verdes e que o encontro nunca foi prioridade.

 

A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, correu para justificar o injustificável, apontando que a falta de uma reunião bilateral formal fazia parte de um suposto "cálculo de redução de danos". A tese era de que o governo brasileiro preferiu não insistir em uma agenda oficial para evitar desgastes. O problema é que a internet tem memória, e os fatos desmentem a narrativa oficial.

 

Dias antes, as manchetes desenhavam um cenário completamente oposto. A CNN Política havia antecipado que o brasileiro chegaria "cedo" à França justamente no rastro da expectativa de uma agenda com o líder americano. Ora, quem viaja mais cedo para um evento global sem o menor interesse em falar com o principal ator do encontro? O esforço para forçar um encontro fortuito nos corredores provou que o plano era um só: arrancar uma foto a qualquer custo.

 

A "arma secreta" que virou bombinha de São João

 

O desespero por essa imagem tinha um propósito puramente doméstico. Segundo a revista Veja, o Palácio do Planalto via um possível aperto de mãos com Trump como uma "nova dor de cabeça" para a oposição e para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A ideia era usar o pragmatismo econômico para mostrar que a esquerda brasileira tinha trânsito com a direita americana, neutralizando o discurso da oposição.

 

O tiro saiu pela culatra: Em vez de faturar politicamente em cima de uma suposta relevância internacional, o governo entregou de bandeja a imagem de um isolamento completo. A arma secreta falhou na ignição.

 

O plano de fundo desse desespero envolve a economia real. O escritório comercial dos Estados Unidos já havia emitido relatórios recomendando duras tarifas de importação contra o Brasil. Os motivos? Dois "tarifaços":

 

1.      Uma taxa de 25% motivada pela percepção americana de censura jurídica no País e pelo recuo no combate à corrupção.

 

2.      Uma taxa de 12,5% sob a alegação de que o governo brasileiro foi leniente ao não punir grandes empresas aliadas acusadas de usar trabalho forçado.

 

O presidente brasileiro precisava desesperadamente do encontro para tentar reverter esse cenário econômico desastroso, mas voltou para casa de mãos totalmente vazias.

 

Antiamericanismo de palanque, submissão nos bastidores

 

O que torna esse episódio uma comédia trágica é a hipocrisia da política externa atual. Para consumo interno da militância, o discurso é recheado de soberba, ataques ao Ocidente e ofensas diretas a Donald Trump, frequentemente rotulado de “Nazista”, "imbecil" ou "ameaça". O governo brasileiro adota uma postura altiva de palanque, mas descumpre os acordos bilaterais pré-existentes — como as diretrizes de segurança combinadas com os ministros americanos semanas antes.

 

Quando chega a hora do jogo real da geopolítica, a arrogância se transforma em subserviência de corredor. O mandatário brasileiro passa o ano cacarejando contra os Estados Unidos, mas no G7 tentou usar o presidente francês, Emmanuel Macron, como garoto de recados para forçar uma conversa que o americano claramente não queria ter. Enquanto outros líderes convidados, como o ucraniano Volodymyr Zelensky, mantinham reuniões estratégicas de alto nível com os principais blocos, o Brasil assistia a tudo da última fileira.

 

O retorno do anão diplomático

 

Como bem alertou a BBC News, existia um risco real de o Brasil ficar totalmente escanteado no G7 em meio ao foco das grandes potências em crises globais urgentes, como os conflitos na Ucrânia e as tensões na Europa. O aviso foi ignorado, e a profecia se cumpriu à risca.

 

Para o governo americano, o Brasil atual tornou-se um ator secundário e pouco confiável, que não cumpre o que assina e prefere o alinhamento com regimes autocráticos. Trump simplesmente ignorou a existência do colega sul-americano porque, no xadrez global, o Brasil optou por se apequenar.

 

A viagem para a França não produziu acordos, não evitou os tarifaços e não rendeu a sonhada foto de propaganda. Deixou apenas o registro histórico de um líder que, após passar a vida criticando o vizinho rico, viajou milhares de quilômetros para ser ignorado no portão de entrada, mendigando uma atenção que nunca veio (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 17/6/2026)